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12/02/10

Nutrição infantil? Dúvidas aqui!

Seu filho não come direito ou só alimenta-se de doces e salgadinhos?
Você teme que ele fique desnutrido ou obeso?
Tire suas dúvidas sobre a melhor maneira de alimentá-lo á seguir.

1. Suco de beterraba acaba com anemia?
Não. Uma xícara de beterraba ralada possui, pasme, apenas 0,8 miligrama de ferro.
“A criança anêmica tem que consumir todo santo dia 5 miligramas do mineral para cada quilo de peso, durante três meses”, explica o pediatra Ary Lopes Cardoso, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, de São Paulo.
Já um bife pequeno de fígado tem, em média, 8,5 miligramas desse nutriente.

2. Posso colocar todos os dias um bolinho desses comprados prontos na lancheira do meu filho?
Se for sem recheio nem cobertura, vá em frente.
“Eles são ótimas fontes de carboidratos”, afirma a nutricionista Priscila Maximino, da Nutrociência, em São Paulo. Mas, se pertencer à categoria dos recheados, a coisa muda de figura.
Para obter a consistência cremosa, os recheios são produzidos com gordura hidrogenada, verdadeiro veneno.
Em altas quantidades, leva à obesidade e ao aumento do colesterol (sim, criança também pode acumular essa substância nas artérias).
Para variar, experimente substituir os bolos por bolachas salgadas ou um sanduíche.

3. Crianças de qualquer idade podem comer frutos do mar?
“De jeito nenhum. Por uma questão de segurança, espere que complete 2 anos”, orienta Priscila Maximino.
Os principais riscos são a intoxicação alimentar e as alergias.
É bem verdade que cozinhar ou assar esse tipo de alimento diminui o perigo, mas, como seguro morreu de velho, é melhor evitar.

4. Café faz mal para os baixinhos?
A bebida não é das mais indicadas, porque a cafeína pode deixar a criança agitada. “Porém, uma xícara pequena de café puro por dia não faz mal a ninguém”, afirma Ary Lopes, para alívio das mães que não abrem mão do pretinho misturado com o leite.
Se você já ouviu dizer que ele prejudica a absorção de cálcio, saiba que não há razão para se preocupar.
“A quantidade de cafeína presente em um copo de café com leite é tão pequena que não interfere na retenção do mineral pelo organismo”, esclarece o nutrólogo e pediatra Mauro Fisberg, da Universidade São Marcos, em São Paulo.

5. O leite de soja pode substituir o de vaca?
“Sim, se o problema for intolerância à lactose”, explica Renata Cocco, pediatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
“Se não, o de vaca é melhor, porque tem mais cálcio.”
É bom saber, ainda, que um grupo de proteínas do leite de vaca, as caseínas, pode provocar reações como urticária.
Por isso, em caso de dúvida, consulte o pediatra.
Só ele pode pode recomendar o tipo de leite mais adequado para a sua criança.

6. Meu filho adora peixe cru. Tudo bem?
Acima de 2 anos, tudo bem.
“Para não arriscar, só vá a restaurantes impecáveis no que se refere à higiene”, recomenda Ary Lopes.
Caso a preferência recaia sobre o salmão — que andou na berlinda como agente da difilobotríase (doença que provoca dor abdominal, náuseas e vômitos) —, cheque se foi previamente congelado a 21 graus e se o estabelecimento tem o certificado sanitário, que garante a procedência e a qualidade do pescado.

7. Alimentos com corantes causam alergia?
A resposta é não para a grande maioria dos baixinhos.
Além dos corantes, os espessantes e os conservantes, encontrados nos produtos industrializados, também são mal-afamados.
“Mas testes comprovam que apenas 5% dessas substâncias estão relacionadas a crises alérgicas”, revela a pediatra Renata Cocco.
“Já os alérgicos ao ácido acetilsalicílico, componente da aspirina, precisam tomar cuidado, porque tendem a apresentar reações aditivos alimentares.”

8. A carne vermelha é essencial para a criança crescer saudável?
“Sim, ela é uma importante fonte de proteínas, gordura, ferro e zinco”, confirma a médica Roseli Sarni, presidente do departamento científico de nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Contra anemia, ela é imbatível.
Está lotada do chamado ferro-heme, ou ferro orgânico, que é muito mais bem aproveitado pelo corpo do que o mineral presente nos vegetais.
Segundo a especialista, a anemia afeta mais de 40% das crianças em idade pré-escolar no Brasil.
Por isso a carne vermelha deve ser consumida ao menos três vezes por semana, de preferência acompanhado de uma fonte de vitamina C, como a laranja, para aumentar a absorção do ferro.
O frango e o peixe são bons substitutos, mas, fique sabendo, não contêm a mesma concentração do tal ferro-heme.

9. Refrigerante diet e guloseimas adoçadas artificialmente devem ser evitados?
"Não há nenhum componente nesses produtos que seja comprovadamente nocivo à saúde”, afirma a pediatra Renata Cocco.
Nenhum estudo concluiu, por exemplo, que aspartame faça mal ao organismo dos pequenos.
“Mas, por serem artificiais, recomendamos que esses alimentos sejam consumidos só quando realmente há necessidade", explica a pediatra.

10. Gemada é capaz de dar pique?
Ela foi a queridinha das mães zelosas até alguns anos atrás.
Não é mais, até porque nem mesmo os especialistas a recomendam.
“O ovo cru pode estar contaminado com salmonela”, adverte a nutricionista infantil Suzy Graff, de São Paulo.
“A bactéria pode provocar diarréia, vômito ou até levar à morte.”
Infelizmente, ovos de diversas marcas podem estar contaminados por causa de higiene e refrigeração deficientes.
Como é quase impossível saber quais têm condições de consumo, o mais seguro é fritá-los ou, melhor ainda, cozinhá-los.

11. É verdade que alimentos crus e duros ajudam a desenvolver a musculatura da boca?
“Sim, eles estimulam a mastigação, fortalecendo os músculos e facilitando a fala”, diz Renata Cocco.
Quando introduzir a sopa na dieta do bebê, em vez de bater os ingredientes no liquidificador, experimente passá-los na peneira.
Depois que seu filho estiver mais crescido, amasse os alimentos com um garfo para que possam ser mastigados.
E, assim que alguns dentes tiverem nascido, ofereça alimentos crus, como a cenoura e a maçã, em pequenos pedaços — esta última dica, aliás, vale para todo o resto da infância e a adolescência.

12. Leite fermentado ajuda a combater a diarréia?
“Sim, os lactobacilos presentes no leite fermentado competem com as bactérias nocivas no organismo, modificando e colonizando a flora intestinal com germes benéficos”, informa o nutrólogo Mauro Fisberg, de São Paulo.
Assim, o consumo desse tipo de bebida pode abreviar a duração da diarréia.
Se o problema persistir, procure o pediatra.

13. Jantar muito tarde provoca sono agitado?
A chance de isso acontecer é grande, principalmente se a refeição for rica em gordura, que leva mais tempo para ser digerida, e a criança for para a cama logo depois de comer.
Durante o sono, o organismo funciona mais lentamente e isso inclui a digestão.
O estômago, então, fica mais pesado e chega a incomodar.
“Já uma refeição com baixo teor de gordura leva pelo menos duas horas para ser digerida”, afirma Ary Lopes Cardoso.
“Após esse período a criança pode se deitar tranqüilamente”, completa o médico.

14. O que a mãe deve observar no rótulo – o índice de gordura ou o de sódio?
Os dois. Não há uma dosagem máxima recomendada por produto — e, se houvesse, ela seria diferente conforme a idade.
Mesmo assim é bom ficar de olho nesses ingredientes.
A gordura, lembre-se sempre, não pode fornecer mais do que 30% das calorias diárias consumidas pela criança.
Não precisa ficar fazendo conta a toda hora: basta usar o bom senso e, se oferecer algo com teor de gordura nas alturas ao seu filho, cuidar para que o restante do cardápio daquele dia seja mais leve.
Para o sódio, vale o mesmo raciocínio, lembrando que até 12% da meninada entre 6 e 18 anos é hipertensa — e aí o excesso de sal, já sabe…
Vale conversar com o pediatra sobre o assunto, afastar essa hipótese e pedir uma orientação sobre o consumo diário de sal adequado para o seu filho.

15. É melhor comer frutas com ou sem casca?
“O mais indicado é consumi-las com casca, quando possível, porque ela é uma ótima fonte de fibras”, garante Fábio Ancona Lopes, especialista em nutrição infantil da Unifesp.
Mas enfatiza: as frutas devem ser muito bem lavadas em água corrente e com a ajuda de uma escovinha, para que fiquem livres de resíduos de agrotóxicos, substâncias extremamente prejudiciais.

16. Os macarrões instantâneos são liberados?
“A massa em si não faz mal nenhum, pois é uma excelente fonte de carboidratos”, afirma a médica Roseli Sarni.
O problema está no condimento que dá sabor e faz com que o prato seja um dos preferidos da garotada.
“Além de ser um tempero artificial, ele contém grande quantidade de sódio, que leva ao aumento da pressão e à retenção de água.”
Em outras palavras, poder pode, mas só de vez em quando.

17. Vale a pena incluir aqueles pós multivitaminados na alimentação dos meus filhos?
“Esses pós devem ser ingeridos como complementos da alimentação só se a criança apresentar déficit de nutrientes ou estiver abaixo do peso.”, diz Mauro Fisberg.
Eles são indicados principalmente quando é necessário aumentar o aporte de calorias, vitaminas ou sais minerais no organismo.
O ideal é que esse tipo de suplemento seja utilizado sob a orientação de um nutricionista, já que é muito calórico.

18. As informações estampadas nas embalagens se referem às necessidades nutricionais de crianças ou de adultos?
“Em geral elas se referem às necessidades dos adultos, exceto quando os produtos são dirigidos ao público infantil”, esclarece Fábio Ancona Lopes.
“O importante é saber que cada idade requer tipos e quantidades específicos de nutrientes”, completa.
E as recomendações mais indicadas para cada faixa só o especialista pode fazer.
Moral da história: vale olhar o rótulo?
Até vale, mas apenas para ter uma leve referência quando o consumidor é uma criança.

19. Sopas prontas substituem uma refeição?
“De jeito nenhum. A quantidade de fibras e nutrientes presente nesses produtos é muito pequena”, diz categoricamente a nutricionista Priscila Maximino.
Sem falar no alto teor de sódio.
Se numa hora de aperto você precisar recorrer à praticidade desse tipo de refeição, trate de complementá-la com uma porção de carne, outra de legumes e uma fruta.
Lembre-se: nada como a velha e boa sopa caseira, preparada com ingredientes fresquinhos.

20. Quantas vezes por semana doces e refrigerantes podem entrar no cardápio?
Depende. “Se a criança estiver acima do peso, ofereça duas porções de desses itens por semana”, recomenda a nutricionista Priscila Maximino.
Mas, se ela não vive em pé de guerra com a balança, três porções semanais estão de bom tamanho.
“Esses alimentos devem ser oferecidos com muito mais parcimônia em caso de colesterol ou triglicérides altos ou mesmo hipertensão”, completa.

A questão da obesidade

Já foi dado o alerta: o número de crianças obesas aumenta ao redor do globo.
O país campeão de meninos e meninas em guerra contra a balança são os EUA, cujos índices aumentam a cada ano.
Nos últimos 30 anos, a quantidade de casos triplicou no país e hoje chega a aproximadamente 17% das crianças e adolescentes.

Enganam-se os que pensam que o problema está apenas na terra do Tio Sam.
O Brasil também luta contra a obesidade infantil.
Por aqui, a estatística aumentou cinco vezes nos últimos 20 anos e está bem próxima do número norte-americano.
Uma pesquisa feita pelo departamento de Medicina Integral, Familiar e Comunitária da Universidade Estadual do Rio de Janeiro aponta que 15,6% de crianças e adolescentes entre 10 e 19 estão acima do peso considerado ideal para sua idade.
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprova esses dados.
No estudo com três mil voluntários entre dois e seis anos, de nove Estados brasileiros, o resultado é preocupante: 27% deles estão com os ponteiros da balança acima do esperado e 11%, com obesidade.

Graves consequências
À medida que as crianças crescem, estica também o número de doenças decorrentes do problema.
Hipertensão, diabetes tipo 2, aumento das taxas de colesterol são apenas alguns dos males que podem dar as caras já na infância ou aparecer na idade adulta.

"A curto prazo surgem problemas emocionais, pois a criança começa a ser excluída pelos colegas. Além disso, elas passam a sofrer com dores nas costas, joelhos e pés, falta de ar e pouca resistência em atividades físicas. E, quando atingem a maioridade, o grande fantasma é a síndrome metabólica, que eleva o risco de doenças cardiovasculares", lista Durval Damiani, chefe da unidade de Endocrinologia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Onde está o perigo
Há diferentes fatores que contribuem para a garotada ficar rechonchuda.
Além da má alimentação, o sedentarismo dá um empurrãozinho para o aumento de peso.
"Crianças gastam muito tempo em frente ao computador, assistindo à tevê ou no videogame. A atividade física, apesar de existir, é insuficiente para compensar o consumo excessivo de energia", alerta Rose Vega Patin, nutricionista e especialista em Nutrição Materno-Infantil da Unifesp.

"Os erros estão em toda parte. Começa sempre com a predisposição genética. Depois, os maus hábitos alimentares em casa. Certas escolas, em vez de educar para uma dieta saudável, estimulam o consumo de comidas calóricas. Algumas delas disponibilizam restaurantes fast food para os alunos. Um absurdo", comenta Damiani.

O culpado mora em casa
Responda rápido: onde a criançada faz sua pior refeição?
Para quem disse na escola ou na creche, errou feio.
Na mesma pesquisa realizada pela Unifesp, uma bomba para os pais: os pequenos estão se alimentando mal na própria casa.
Isso porque eles apresentam carência de nutrientes ingeridos nas principais refeições (café-da-manhã, almoço e jantar), normalmente feitas em casa.
Enquanto o consumo de produtos com alto teor de colesterol e gorduras trans são altos, na contramão está a baixa ingestão de fibras, vitaminas e ferro.
Em outras palavras: eles ingerem poucas frutas, legumes e verduras e muitos doces, gorduras e sal.

"São poucas famílias que têm o hábito de almoçar e jantar e acabam recorrendo a refeições rápidas, com produtos prontos ou semiprontos.
Em alguns casos até, as crianças têm jornadas longas nas escolas e se alimentam nos refeitórios.
Apesar de existir alimentação de qualidade nesses locais, com variedade de frutas, legumes e verduras, a criança não tem o costume de consumi-los, simplesmente porque não o adquiriu em casa", adverte Rose.
E, já que é de pequeno que se torce o pepino, ainda dá tempo de eliminar os erros da alimentação e investir em novos hábitos.
Que tal começar agora?

Atenção procure um médico e ou nutricionista para melhor orientar a alimentação de seu filho considerando as características individuais de seu organismo e estilo de vida.

Fonte: Revista Saúde, Viva Saúde

1 comentários:

MARIA COSTA disse...

OIII
Parabens pelo post.Assunto muito bom em vista que a alimentação das crianças esta cada vez mais desequilibrada, onde os valores nutritivos dos alimentos que comem são muito baixo, pois a alimentação é pessima, por isso que tem muitas crianças ou anemica e desnutrida ou ao extrema como obesas.
Bjs

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