De acordo com uma pesquisa realizada pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), os brasileiros tomam cerca de 140 litros de leite por ano, 30% menos do que a quantidade considerada ideal.
Ao contrário do que se imagina, a estatística revela que estamos abrindo mão não apenas do cálcio, o principal componente do leite, mas também de outros nutrientes importantes para a saúde.
Para começar, por ser de origem animal, o alimento é fonte de proteínas essenciais a inúmeras funções do organismo, como a construção e reparação de músculos, colágeno, enzimas e células do sistema de defesa.
Além disso, o leite contém vitaminas do complexo B (importantes para que o organismo consiga extrair energia dos nutrientes), e vitaminas A e D, presentes principalmente na versão integral, já que são associadas à gordura do alimento.
"A vitamina A auxilia na proteção da pele, atua como antioxidante e desempenha importante papel na função da retina, do sistema imunológico e do desenvolvimento ósseo", diz o nutricionista Murilo Dáttilo, do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM).
"A vitamina D atua na absorção do cálcio", completa.
Vale lembrar que o leite também é fonte de gorduras insaturadas - aquelas que fazem bem ao organismo.
"Em média, o alimento [integral] apresenta cerca de 4% de gordura na composição, principalmente as do tipo ômega-6", afirma a nutricionista Renata Gonçalves, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Por essas e outras é que o leite tornou-se essencial para quem, literalmente, quer deixar de ser café com leite na hora de cuidar da própria saúde.
A seguir, veja outros seis bons motivos para incluí-lo no cardápio.
Adeus, Barriguinha!
Alguns estudos têm associado o consumo de leite à perda de peso.
Um deles, realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é ainda mais específico e aponta que a ingestão do alimento seria capaz de contribuir para a redução da gordura localizada no abdome - ou seja, ideal para quem quer se livrar da barriguinha.
Isso se deve à ação das proteínas e do cálcio, dois dos principais componentes do leite.
"O aumento do consumo de proteínas é capaz de estimular o metabolismo [contribuindo para a redução de peso], e proporcionar a saciedade, diminuindo a fome", afirma Dáttilo.
De acordo com o nutricionista, neste caso, o tipo desnatado é o mais indicado, já que não possui gorduras.
Intolerância
Atualmente, muitos adultos descobrem-se intolerantes à lactose, ou seja, são incapazes de digerir este açúcar presente no leite, o que provoca um quadro de diarreia.
Entretanto, já existem muitos produtos disponíveis no mercado para quem não pode consumir o leite comum - até mesmo versões que apresentam baixa ou nenhuma concentração de lactose.
Como o grau de intolerância varia de indivíduo para indivíduo, é importante que cada um busque uma maneira de repor a ausência deste alimento no cardápio.
Optar por derivados de leite, por exemplo, pode ser uma boa saída, já que estes produtos contêm quantidades inferiores de lactose.
Mas, para quem possui intolerância muito severa e não dá conta de digerir nem mesmo estes produtos, a dica é partir para outros alimentos que também são fontes dos mesmos nutrientes do leite.
Anote aí: o cálcio pode ser reposto a partir do consumo da soja ou brócoli, que não traz nenhuma repercussão negativa para o indivíduo.
Contra o Câncer
Uma pesquisa norte-americana realizada por cientistas do Brigham and Women's Hospital constatou que a ingestão de meio litro de leite por dia reduz até 12% o risco de desenvolver o câncer de cólon no intestino.
As evidências científicas sugerem que, tanto no leite quanto em seus derivados, o cálcio e a vitamina D seriam os responsáveis por tal benefício, já que ambos possuem efeitos protetores contra o surgimento da doença.
Além disso, outros compostos, como o ácido butírico, o ácido linoleico conjugado, os esfingolipídeos e as bactérias probióticas, têm se mostrado armas eficientes na luta contra o surgimento de células cancerígenas.
"Eles estão presentes principalmente nos produtos fermentados, como o iogurte", lembra Renata Gonçalves.
Prevenção à diabete
Segundo uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de Cardiff, no País de Gales, o consumo de leite também tem se mostrado eficaz na luta contra a doença.
De acordo com o estudo, a ingestão de duas ou três porções de produtos lácteos por dia seria capaz de reduzir até 62% a incidência da síndrome metabólica em homens que apresentam propensão a desenvolvê- la.
Por trás deste benefício estão (mais uma vez) o cálcio e a vitamina D, que entre outras coisas, "são capazes de manter níveis glicêmicos adequados, resultando em um menor risco de desenvolvimento de diabete tipo 2", afirma o especialista da Unifesp.
Longa vida
Da Grã-Bretanha vem outra pesquisa que reforça a importância de consumir leite na infância.
De acordo com o experimento, elaborado pela Universidade de Bristol, crianças que ingeriam grandes quantidades do alimento apresentaram, 65 anos depois, riscos menores de contrair doenças letais, como derrames e problemas cardiovasculares.
Em partes, isso se deve ao cálcio, que tem ação comprovada na prevenção de acidente vascular cerebral (AVC), mas também acontece graças às proteínas.
"É provável que beber leite na infância aumente a expectativa de vida justamente porque se trata do período em que há uma maior recomendação proteica, afinal, o leite é uma fonte importante de proteínas para crianças, principalmente para aquelas que pararam de amamentar há pouco tempo", explica a nutricionista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Para dar uma força
Sabe-se que o consumo de proteínas após a realização de atividade física contribui para o ganho de massa muscular, mas de acordo com um estudo realizado no Canadá, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, a ingestão de leite nessas condições é capaz de potencializar este efeito.
Segundo a pesquisa, o alimento, em sua versão desnatada, seria capaz de garantir a presença de aminoácidos no organismo por mais tempo, fator essencial para o fortalecimento dos músculos.
"A proteína ajuda a recompor o tecido muscular, por isso, é essencial para o fortalecimento", afirma Renata Gonçalves.
Para assegurar o efeito, no entanto, é importante ingerir alimentos que são fontes de carboidratos antes da prática esportiva, de forma a permitir que o organismo tenha a seu dispor todos os nutrientes essenciais à atividade física.
Bom para as gestantes
Mulheres grávidas que consomem mais leite e derivados durante a gestação dão à luz crianças mais saudáveis, diz um estudo realizado também no Canadá, publicado no Canadian Medical Association Journal.
Para os pesquisadores, gestantes que consumiram até três copos de leite diariamente durante a gravidez tiveram bebês mais pesados, graças à ingestão de altas doses de proteínas, vitamina D e principalmente de cálcio.
"No terceiro trimestre da gestação, aumenta a demanda de cálcio, já que o feto precisa mais deste mineral para concluir a formação óssea", explica a nutricionista.
Ainda de acordo com a pesquisa, o consumo de leite pode beneficiar não apenas o sistema ósseo, mas também o desenvolvimento do sistema neurológico e imunológico dos bebês.
Falso ou verdadeiro?
Muitos mitos foram associados ao consumo de leite ao longo dos tempos. Descubra alguns:
Leite à noite engorda
Verdadeiro. No período da noite, o metabolismo do corpo é reduzido, já que estamos nos preparando para dormir.
Por isso, de acordo com a nutricionista Renata Gonçalves, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, como há pouco ou nenhum gasto energético neste momento do dia, é preciso tomar cuidado com os alimentos ingeridos antes de ir para a cama, já que uma escolha muito calórica pode contribuir para o ganho de peso.
"Entre tomar um copo de leite ou uma xícara de chá, por exemplo, é melhor optar pelo chá, já que certamente o leite é mais pesado", explica.
Leite provoca asma
Falso. Afirmou-se por muito tempo que a ingestão de produtos lácteos seria capaz de aumentar a produção de muco e, assim, contribuir para o surgimento de sintomas característicos da asma.
Entretanto, de acordo com o nutricionista Murilo Dáttilo, do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM), a fundamentação científica para sustentar tal hipótese é muito pobre.
"Outros estudos mostram, na verdade, que é improvável que produtos lácteos tenham um efeito broncoconstritor [o que dificulta o trabalho dos brônquios, comprimindo-os e causando a falta de ar, típica dos asmáticos] específico na maioria das pessoas com asma", afirma.
Leite direto da fazenda faz mal ao organismo
Falso. A bebida é até mais nutritiva que as encontradas nos supermercados, pois não passa pelo processamento industrial que aquece o alimento a temperaturas altas com o objetivo de prolongar sua conservação.
Ele também conta com maior concentração de gordura. De qualquer maneira, antes de consumir o alimento, é preciso ter certeza das condições de higiene em que foi extraído.
Não é só de vaca
Descubra as diferenças entre os tipos de leite e saiba qual cai melhor no seu dia a dia:
De cabra
Tem valor nutricional muito semelhante ao leite de vaca.
As principais diferenças ficam por conta da concentração de cálcio, que é cerca de 20% maior no leite de cabra, além de sua melhor digestão, graças ao tamanho reduzido das moléculas de gordura em relação às presentes no leite de vaca.
De coco
Apresenta uma composição totalmente diferente dos outros tipos de leite, pois é cerca de oito vezes mais calórico que o leite desnatado e quatro vezes mais que o leite integral, além de ser muito mais gorduroso.
Embora seja fonte de proteínas de origem vegetal, também neste aspecto fica atrás dos outros tipos de leite.
De soja
Contém boa quantidade de proteínas, sendo uma das melhores opções para indivíduos que não consomem leite e derivados.
Seu teor de proteínas é semelhante ao presente nos leites de vaca e cabra, enquanto a concentração de carboidratos é 25% menor.
Além disso, possui metade do teor de gordura em comparação ao leite integral e apresenta teor de cálcio muito próximo ao presente no leite de vaca.
Qual comprar?
Na hora de optar por um tipo de leite, muita gente ainda fica na dúvida: afinal, qual é a diferença entre as versões integral, semi-desnatada e desnatada do produto?
Pois bem, de acordo com Renata Gonçalves, nutricionista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, o que muda mesmo é a concentração de gordura.
Enquanto o leite integral mantém praticamente as mesmas características nutricionais do momento em que foi extraído, a versão desnatada passa por um processo industrial que retira toda a gordura do leite, tornando-o mais leve e menos calórico.
Já a versão semi-desnatada, como o próprio nome indica, é o meio termo entre as duas versões anteriores.
"O único problema é que, ao passar por esse processo industrial, o leite perde vitaminas, principalmente as lipossolúveis, que são aquelas associadas às gorduras", explica a nutricionista.
Entretanto, justamente para compensar esta perda de nutrientes, muitos fabricantes têm acrescentado vitaminas e sais minerais ao leite semi-desnatado e desnatado, "criando versões bastante nutritivas", completa.
Fonte: Revista Vida Natural e Equilíbrio






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